
Abertura Institucional · Workshop Internacional Geo Soluções · São Paulo
Diretor técnico e fundador da Geo Soluções abre o workshop com um diagnóstico do mercado rodoviário brasileiro, apresenta o portfólio da empresa e defende a tese central do evento: a tecnologia como resposta ao abismo entre a demanda por infraestrutura e a escassez de mão de obra qualificada.
Sobre o palestrante
Victor Pimentel é diretor técnico e cofundador da Geo Soluções, empresa brasileira que ele fundou junto com o irmão, Júlio Pimentel. Abriu o Workshop Internacional Geo Soluções, em São Paulo, com a maior parte da equipe da empresa presente no auditório. Sua fala combinou três movimentos: apresentar a Geo Soluções como um hub tecnológico, fazer um diagnóstico do mercado de infraestrutura rodoviária e situar o tema que costura todo o evento — o descompasso entre a demanda por obras e a oferta de gente qualificada para entregá-las.
A empresa se define como um hub tecnológico capaz de oferecer soluções geotécnicas, hidráulicas e de proteção ambiental. Atua em infraestrutura, imobiliário, agronegócio, mineração, recuperação ambiental, saneamento e energia — setores em que a geotecnia costuma estar na curva A de custo da obra.
GeotecniaHidráulicaMeio ambientePimentel insiste num filtro: no Brasil — como na maioria dos países que precisam pensar a aplicação do recurso — não basta a tecnologia trazer benefício de longo prazo. Ela tem que ser viável executivamente e economicamente, reduzindo CAPEX e gerando economia mensurável. É esse olhar que define em quais tecnologias a Geo Soluções aposta.
CAPEXViabilidade“Não adianta trazer tecnologias que tragam só um benefício de muito longo prazo. Tem que ser viável executivamente e viável economicamente.”
Tese central
A tese que organiza a fala de Pimentel é uma distinção: a Geo Soluções não é fornecedora de materiais, é entregadora de solução. A diferença não é retórica. Um produto industrializado só performa na obra, no longo prazo, quando vem acompanhado das boas práticas que o cercam — metodologias de cálculo, procedimentos executivos e supervisão técnica em campo. É o produto funcionando, não o produto na embalagem.
Antes da venda, a empresa faz o estudo de viabilidade, a geração de projetos preliminares e o suporte aos projetistas — para que a solução nasça correta no projeto, e não seja corrigida na obra.
ViabilidadeUma equipe de supervisão técnica acompanha a instalação dos sistemas no campo, orientando a execução. É a ponte entre o que foi projetado e o que efetivamente é construído.
CampoDepois da entrega, a Geo Soluções verifica conformidade e qualidade do que foi instalado na obra. O ciclo só fecha quando o sistema está performando como previsto.
Qualidade“Solução é juntar as boas práticas em torno de um produto industrializado funcionando na obra, performando no longo prazo — não simplesmente o produto na embalagem.”
Dados e números
Pimentel apoia o diagnóstico em dados públicos. A pesquisa CNT de 2025 avaliou cerca de 114 mil km de rodovias — 74% sob gestão pública — classificando pavimento, sinalização e geometria da via entre ótimo, bom, regular, ruim e péssimo. O retrato mostra um passivo grande justamente nos itens que envolvem geotecnia. Em paralelo, a entrada de capital privado via concessões dá previsibilidade rara ao horizonte de obras dos próximos 5 a 10 anos.
“O fato de ser dinheiro privado entrando no setor nos dá uma certa segurança, um pouco inédita no Brasil, sobre os próximos cinco a dez anos.”
Portfólio
Pimentel percorreu a gama de tecnologias da empresa — boa parte ancorada em geossintéticos. O portfólio vai da contenção de solo reforçado à proteção ambiental, sempre na lógica de oferecer alternativa viável a soluções tradicionais mais lentas ou mais caras.
Sistemas de contenção em solo reforçado, incluindo o sistema Lock+Load, voltados a substituir muros de escamas tradicionais.
Lock+LoadMuros vegetados para várias aplicações, com baixa manutenção e desempenho de longo prazo.
VegetaçãoReforço de solos moles com geossintéticos e brita — colchões drenantes associados a geossintéticos.
Solos molesControle de erosão e canalização com geocélulas — execução rápida frente a soluções tradicionais.
GeocélulasEstabilização química de solos — tecnologia blinda-solo, cujo inventor, o professor Hélio, estava presente no auditório.
Estabilização químicaObras hidráulicas e impermeabilização com geomembrana reforçada, em grandes painéis para reduzir soldas em campo.
GeomembranaDiques modulares extensíveis, preenchidos com material local, para resposta rápida a inundações.
Resposta rápidaDrenagem de túneis com concreto projetado e proteção costeira para obras marítimas.
TúneisPimentel destacou também as placas modulares — tecnologia canadense trazida ao Brasil — para construir caminhos de serviço em áreas de baixa capacidade de suporte. Como o uso é temporário, a Geo Soluções aluga as placas para as obras, em vez de vendê-las — exemplo da lógica de viabilidade econômica que orienta a empresa.
LocaçãoTecnologia canadensePara entregar a solução, a Geo Soluções desenvolveu quatro ferramentas digitais: GeoAcademy, GeoQore (que exige licença, cedida sem custo a clientes e projetistas), a GRS Risk Matrix — matriz de risco para implantação de solo reforçado em grandes projetos — e o pacote BIM, lançamento do evento.
GeoAcademyGeoQoreGRS Risk MatrixPacote BIMO desafio do setor
Aqui Pimentel chega ao núcleo do diagnóstico. De um lado, a demanda por infraestrutura dispara — leilões, concessões, recursos privados. De outro, faltam pessoas para entregar essas obras. Os leilões geram escassez de mão de obra qualificada e não qualificada, pressionam preços, e os cursos de engenharia tradicional atraem cada vez menos jovens, com índices altos de evasão. O resultado é um gap que, nas palavras dele, forma um abismo.
A carteira de concessões, os leilões e a entrada de capital privado empurram a demanda por obras para cima. Some-se mineração, aterros sanitários e outros modais — todos disputando o mesmo profissional.
DemandaFalta mão de obra qualificada e não qualificada. Cursos de engenharia atraem menos jovens e a evasão é alta — formar gente leva tempo.
EscassezO desencontro entre as duas curvas pressiona preços e ameaça prazos. O gargalo de pessoas qualificadas ameaça o futuro das entregas do setor.
Gargalo“Uma coisa vai num sentido, a outra vai no outro. Forma um gap, um abismo enorme — e esse é o desafio de todos nós.”
A resposta
Se faltam pessoas e o tempo de formá-las é longo, a saída de Pimentel é a tecnologia. Ele distingue duas vertentes da inteligência artificial — a IA física e a IA digital — e observa o jogo geopolítico: a China avança mais rápido em IA física, os Estados Unidos lideram em IA digital. O Brasil ainda está aquém da maturidade no uso dessas tecnologias em seus projetos. Por isso o workshop trouxe um especialista em IA aplicada à engenharia: para mostrar o que já é possível fazer.
Para Pimentel, é hora de agir: entregar mais rápido, com qualidade, com menos gente qualificada disponível. A engenharia brasileira sempre achou caminhos — e a tecnologia digital e física é o caminho desta vez.
EficiênciaA abertura funciona como índice do workshop: a mesa redonda discute como esses desafios se traduzem no dia a dia da geotecnia; a palestra de IA mostra ferramentas concretas; e a palestra internacional apresenta o sistema Lock+Load.
Programa“É hora de agir. Em nossa opinião, é fazer mais com menos — mais rápido, com qualidade, com menos gente qualificada. A gente sempre achou o caminho.”
Insights da abertura
O que a abertura de Pimentel deixa: o setor de infraestrutura vive um momento de demanda sem precedentes e relativa previsibilidade, mas a falta de gente qualificada ameaça as entregas. A resposta da Geo Soluções é dupla — entregar solução completa (não produto) e apostar pesado em tecnologia e IA.
A diferença entre vender um geossintético e entregar uma contenção que performa por décadas está nas boas práticas em torno do produto — projeto, supervisão e pós-venda.
No Brasil, tecnologia só entra se reduzir CAPEX e gerar economia mensurável. A locação de placas modulares é o exemplo dessa lógica aplicada.
A entrada de recursos privados via concessões cria um horizonte de 5 a 10 anos relativamente previsível — incomum no histórico brasileiro.
Pela primeira vez em muito tempo, recurso não é o limite. O limite é mão de obra qualificada — e sua formação é lenta.
Pimentel separa IA física e IA digital e situa o Brasil como retardatário na maturidade de uso — o workshop busca encurtar essa distância.
Cada tema levantado por Pimentel é retomado adiante — pela mesa redonda, pela palestra de IA e pela palestra internacional.
Encerramento do workshop
Depois de Paulo Rocha e da palestra internacional de David Ash, Victor Pimentel voltou ao palco para fechar o workshop com um agradecimento aos presentes, um convite para o coquetel e uma sinalização clara: este é o primeiro de uma série de encontros que a Geo Soluções pretende organizar — com outros temas e outros setores. A linha condutora é a mesma da abertura: reunir quem planeja, projeta, executa, opera e financia as obras para encurtar distâncias.
“Queria aproveitar para encerrar nosso evento aqui, agradecer a presença de vocês mais uma vez, e convidá-los para um coquetel — estamos servidos aqui fora. E convidá-los para as próximas edições do workshop da Geo Soluções: vamos fazer outros eventos, com outros temas, para outros setores também. Fica o convite. Fiquem atentos aí, nos próximos meses. Muito obrigado pela presença de todos.”